Escrita por volta do ano 397 d.C., Confissões (no latim original, Confessionum Libri Tredecim) é muito mais do que uma autobiografia. É considerada por muitos historiadores e filósofos como o primeiro grande mergulho na subjetividade humana e o marco zero da psicologia e da literatura autobiográfica no Ocidente.
Ao longo de treze livros, o Bispo de Hipona não apenas relata os eventos de sua vida — desde sua infância na África Romana até sua ascensão como mestre de retórica e sua conversão ao cristianismo — mas o faz na forma de uma oração contínua e apaixonada dirigida a Deus.
O SIGNIFICADO DO TÍTULO
Para Agostinho, o termo "Confissão" possui um sentido triplo, que permeia toda a obra:
Confissão de Pecados: O reconhecimento de suas falhas, erros e da "vontade dividida" que o afastou da verdade durante a juventude.
Confissão de Fé: A proclamação pública de sua crença e a aceitação da graça divina.
Confissão de Louvor: O reconhecimento da grandeza, beleza e misericórdia de Deus em cada detalhe de sua existência.
A ESTRUTURA DA OBRA
Embora seja lida frequentemente apenas por seu valor biográfico, a obra é dividida em dois grandes blocos temáticos:
Livros I ao IX (A Jornada do Eu): Onde Agostinho narra sua trajetória pessoal. Ele descreve seus estudos, sua queda no maniqueísmo, suas paixões, sua amizade com Alípio, a influência fundamental de sua mãe, Santa Mônica, e o famoso episódio da conversão no jardim de Milão.
Livro X (A Anatomia da Memória): Uma ponte filosófica onde Agostinho analisa seu estado espiritual no momento em que escreve o livro, mergulhando no "imenso palácio da memória".
Livros XI ao XIII (A Exegese da Criação): Uma meditação profunda sobre o livro do Gênesis, onde ele discute temas complexos como a natureza do tempo, a eternidade e a criação do mundo a partir do nada (ex nihilo).
POR QUE LER CONFISSÕES HOJE?
Santo Agostinho fala de dilemas que permanecem contemporâneos: a busca pela felicidade, o vício, a procrastinação intelectual, a perda de entes queridos e o vazio existencial. Ele não escreve como um santo distante, mas como um homem inquieto que entende que a verdadeira sabedoria não se encontra apenas nos livros, mas no silêncio do "homem interior".
Neste conteúdo exclusivo, exploraremos cada capítulo desta jornada, destrinchando as reflexões de uma mente que moldou o pensamento ocidental e que continua a ecoar na alma de todo aquele que se pergunta: "Quem sou eu e o que busco?"